Casa da Poesia |
|
|
Poesia. E tudo o que vier com ela. Sítios com poesia Sítios da Poesia Editoras
Archives
|
Domingo, Fevereiro 27, 2005
o tempo dos barcos enquanto bordas o tempo dos barcos constróis a casa com a luz pequena. nos sonos longos, és tu que anoiteces. colhes a curva de um rosto, com clareza teces a alma vã da firmeza nos colos finos, na lâmina dos rios. ó doce pescador, madrugada que fosse a foice dos meus poemas, dá-me os pássaros alinhados as minhas penas. ó cegas torres de marfim, na excentricidade vagabunda da fadiga começa o meu fim. 26.fev.2005 mariagomes obrigado Meu Deus por mais este espantoso dia:pelos saltitantes e virentes espíritos das árvores e um azul autêntico sonho celeste;e por tudo o que é natural o que é infinito o que é sim (eu que morri estou vivo de novo, e este é o dia de anos do sol;este é de anos o dia da vida e do amor e asas:e do alegre grande evento ilimitavelmente terra) como poderia saboreando tocando ouvindo lendo respirando qualquer----erguido do não de todo o nada----ser simplesmente humano duvidar inimaginável de Ti? (agora os ouvidos dos meus ouvidos despertam e agora os olhos dos meus olhos estão abertos) E.E. Cummings. retirado ao Divas e Contrabaixos. «Naquele piquenique de burguesas, Houve uma coisa simplesmente bela, E que, sem ter história nem grandezas, Em todo o caso dava uma aguarela. Foi quando tu, descendo do burrico, Foste colher, sem imposturas tolas, A um granzoal azul de grão-de-bico Um ramalhete rubro de papoulas. Pouco depois, em cima duns penhascos, Nós acampámos, inda o Sol se via; E houve talhadas de melão, damascos, E pão-de-ló molhado em malvasia. Mas, todo púrpuro a sair da renda Dos teus dois seios como duas rolas, Era o supremo encanto da merenda O ramalhete rubro das papoulas!» Cesário Verde. retirado ao Aviz. Sábado, Fevereiro 26, 2005
Aos amigos Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado. Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos, com os livros atrás a arder para toda a eternidade. Não os chamo, e eles voltam-se profundamente dentro do fogo. - Temos um talento doloroso e obscuro. construimos um lugar de silêncio. De paixão. (Herberto Helder), retirado ao Abrupto. Terça-feira, Fevereiro 22, 2005
Quando Eu Partir Quando eu partir, quando eu partir de novo A alma e o corpo unidos, Num último e derradeiro esforço de criação; Quando eu partir... Como se um outro ser nascesse De uma crisália prestes a morrer sobre um muro estéril, E sem que o milagre se abrisse As janelas da vida. . . Então pertencer-me-ei. Na minha solidão, as minhas lágrimas Hão de ter o gosto dos horizontes sonhados na adolescência, E eu serei o senhor da minha própria liberdade. Nada ficará no lugar que eu ocupei. O último adeus virá daquelas mãos abertas Que hão de abençoar um mundo renegado No silêncio de uma noite em que um navio Me levará para sempre. Mas ali Hei de habitar no coração de certos que me amaram; Ali hei de ser eu como eles próprios me sonharam; Irremediavelmente... Para sempre. Ruy Cinatti * Retirado ao Kitanda. Da Oração Doce quietação de quem vos ama, Em serviços, Senhor, que tanto quanto Amado sois, tão longe o fim de tanto, Subindo mais, e mais, mais se derrama: Ardendo por arder em viva chama De amor do vosso amor, a voz levanto; Sinto, suspiro, choro, colho, e planto Ao som doutra suave que me chama. Onde se vai, Senhor, quem vos ofende? Donde levais, Deus meu, a quem vos segue? Onde fugir se pode uma de duas? Morto por quem o mata que pretende, Ou que extremos de amor há que nos negue Quem culpas nossas chama ofensas suas? (Frei Agostinho da Cruz) * Retirado ao Abrupto. Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005
COM OS OLHOS SECOS Com os olhos secos - estrelas de brilho inevitável atravós do corpo atravós do espírito sobre os corpos inanimes dos mortos sobre a solidão das vontades inertes nós voltamos Nós estamos regressando África e todo o mundo estará presente no super-batuque festivo sob as sombras do Maiombe no carnaval grandioso pelo Bailundo pela Lunda Com os olhos secos contra este medo da nossa África que herdámos dos massacres e mentiras Nós voltamos África estrelas de brilho irresistível com a palavra escrita nos olhos secos - LIBERDADE. Agostinho Neto, aqui. Notícias do Bloqueio Aproveito a tua neutralidade, o teu rosto oval, a tua beleza clara, para enviar notícias do bloqueio aos que no continente esperam ansiosos. Tu lhes dirás do coração o que sofremos nos dias que embranquecem os cabelos... Tu lhes dirás a comoção e as palavras que prendemos - contrabando - aos teus cabelos. Tu lhes dirás o nosso ódio construído, sustentando a defesa à nossa volta - único acolchoado para a note florescida de fome e de tristezas. Tua neutralidade passará por sobre a barreira alfandegária e a tua mala levará fotografias, um mapa, duas cartas, uma lágrima... Dirás como trabalhamos em silêncio, como comemos silêncio, bebemos silêncio, nadamos e morremos feridos de silêncio duro e violento. Vai pois e noticia com um archote aos que encontrares de fora das muralhas o mundo em que nos vemos, poesia massacrada e medos à ilharga Vai pois e conta nos jornais diários ou escreve com ácido nas paredes o que viste, o que sabes, o que eu disse entre dois bombardeamentos já esperados. Mas diz-lhes que se mantém indevassável o segredo das torres que nos erguem, e suspensa delas uma flor em lume grita o seu nome incandescente e puro. Diz-lhes que se resiste na cidade desfigurada por feridas de granadas e enquanto a água e os víveres escasseiam aumenta a raiva e a esperança reproduz-se EGITO GONÇALVES, EM A VIAGEM COM O TEU ROSTO LÍRICAS PORTUGUESAS, PORTUGÁLIA EDITORA, LISBOA, S.D., 3ª SÉRIE, P.317 * Oferta que muito agradecemos de Helena F. Monteiro. Domingo, Fevereiro 13, 2005
SÚPLICA Agora que o silêncio é um mar sem ondas, E que nele posso navegar sem rumo, Não respondas Às urgentes perguntas Que te fiz. Deixa-me ser feliz Assim, Já tão longe de ti como de mim. Perde-se a vida a desejá-la tanto. Só soubemos sofrer, enquanto O nosso amor Durou. Mas o tempo passou, Há calmaria... Não perturbes a paz que me foi dada. Ouvir de novo a tua voz seria Matar a sede com água salgada Miguel Torga (retirado ao Alma de Poeta) Perecimentos Não sei se o rio que banhava minha cidade ainda corre para o mar. Nem se as paredes da casa onde vivi ainda estão coloridas. Não sei se o asfalto já ocultou as pedras onde viajou o primeiro fusca de meu pai. Nem se cresceu mato ou edifícios brilhantes no lote vago onde brincávamos. Faz tempo esqueci de quais tios sobrinhos e primos nasceram ou morreram. E minha cidade não é mais sequer um retrato na parede. Longe cada ano mais me distancia dos meus primeiros dias da mamadeira no chão da sala dos canarinhos amarelos das goiabas e do limoeiro. Longe cada dia mais me distancio do que fui ou poderia e vou me esquecendo pelos corredores cada vez mais vazios deste meu minúsculo mundo. Adair Carvalhais Júnior Do Nocturno com Gatos, publicado pela Soledade. pode não ser sempre assim; e eu digo que se os teus lábios, que amei, tocarem os de outro, e os teus ternos fortes dedos aprisionarem o seu coração, como o meu não há muito tempo; se no rosto de outro o teu doce cabelo repousar naquele silêncioque conheço, ou naquelas grandiosas contorcidas palavras que, dizendo demasiado, permanecem desamparadamente diante do espírito ausente; se assim for, eu digo, se assim for-- tu do meu coração, manda-me um recado; para que possa ir até ele, e tomar as suas mãos, dizendo, Aceita toda a felicidade de mim. E então voltarei o rosto, e ouvirei um pássaro cantar terrivelmente longe nas terras perdidas. E.E. Cummings in livrodepoemas, Assírio & Alvim (trad. de Cecília Rego Pinheiro) oferta de DivaseContrabaixos Da Madrugada Na madrugada gélida nem os coelhos saíram das tocas nem o céu se azulou o mar é um sopro infantil e dos pássaros nada se ouve. Apenas eu dialogo com a madrugada na escuridão que só o silêncio presencia não são habituais os gestos - praticamente inexistentes ¿ não vá qualquer sopro desconexo perturbar este infinito e todas as vozes que em catarse carrego dentro de mim. Helena F. Monteiro Lisboa, 29 de Janeiro de 2005 gozo como se o corpo líquido galgasse a onda, fundido a ela elevado e puro, gritasse, antes de despencar espuma. silvia chueire Sábado, Fevereiro 12, 2005
Sabedoria Desde que tudo me cansa, Comecei eu a viver. Comecei a viver sem esperança... E venha a morte quando Deus quiser. Dantes, ou muito ou pouco, Sempre esperara: Às vezes, tanto, que o meu sonho louco Voava das estrelas à mais rara; Outras, tão pouco, Que ninguém mais com tal se conformara. Hoje, é que nada espero. Para quê, esperar? Sei que já nada é meu senão se o não tiver; Se quero, é só enquanto apenas quero; Só de longe, e secreto, é que inda posso amar... E venha a morte quando Deus quiser. Mas, com isto, que têm as estrelas? Continuam brilhando, altas e belas. (José Régio) Retirado ao Abrigo de Pastora. BIODIVERSIDADE Há maneiras mais fáceis de se expor ao ridículo, que não requerem prática, oficina, suor. Maneiras mais simpáticas de pagar mico e dizer olha eu aqui, sou único, me amem por favor. Porém há quem se preste a esse papel esdrúxulo, como há quem não se vexe de ler e decifrar essas palavras bestas estrebuchando inúteis, cágados com as quatro patas viradas pro ar. Então essa fala esquisita, aparentemente anárquica, de repente é mais que isso, é uma voz, talvez, do outro lado da linha formigando de estática, dizendo algo mais que testando, testando, um dois três, câmbio? Quem sabe esses cascos invertidos, incapazes de reassumir a posição natural, não são na verdade uma outra forma de vida, tipo um ramo alternativo do reino animal? Paulo Henriques de Britto, Macau. Companhia das Letras. Tirado ao Gavea. Esse lugar de grandes prazeres. Este poema do vencedor do Prémio Portugal Telecom/Brasil. Desse mesmo livro vencedor. De Adélia Freitas. Retirado ao Gavea de Francisco José Viegas: Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos ¿ dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou. Adélia Luzia Prado Freitas nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, no dia 13 de Dezembro de 1935. A sua poesia está reunida em Poesia Reunida, publicada pela Siciliano. Terça-feira, Fevereiro 08, 2005
Meditação do Duque de Gandia sobre a morte de Isabel de Portugal Nunca mais A tua face será pura limpa e viva Nem o teu andar como onda fugitiva Se poderá nos passos do tempo tecer. E nunca mais darei ao tempo a minha vida. Nunca mais servirei senhor que possa morrer. A luz da tarde mostra-me os destroços Do teu ser. Em breve a podridão Beberá os teus olhos e os teus ossos Tomando a tua mão na sua mão. Nunca mais amarei quem não possa viver Sempre, Porque eu amei como se fossem eternos A glória, a luz e o brilho do teu ser, Amei-te em verdade e transparência E nem sequer me resta a tua ausência. És um rosto de nojo e negação E eu fecho os olhos para não te ver. Nunca mais servirei senhor que possa morrer. Sophia de Mello Breyner Andresen (oferta da especialLouise. que muito agradeço.) Domingo, Fevereiro 06, 2005
Último Brinde Bebo ao lar em pedaços, À minha vida feroz, À solidão dos abraços E a ti, num brinde, ergo a voz... Ao lábio que me traiu, Aos mortos que nada vêem, Ao mundo, estúpido e vil, A Deus, por não salvar ninguém. * Последний тост Я пью за разоренный дом, За злую жизнь мою, За одиночество вдвоем, И за тебя я пью,- За ложь меня предавших губ, За мертвый холод глаз, За то, что мир жесток и груб, За то, что бог не спас. 1934, Anna Akhmatova, pseudónimo de Anna Andreievna Gorenki nasceu nos arredores de Odessa em 1889 e faleceu nos arredores de Moscovo em 1966. (retirado ao Romã de Vidro) A la puta que llevó mis poemas Algunos dicen que debemos eliminar del poema los remordimientos personales, permanecer abstractos, hay cierta razón en esto, pero ¡POR DIOS! ¡Doce poemas perdidos y no tengo copias! ¡Y también te llevaste mis cuadros, los mejores! ¡Es intolerable! ¿Tratas de joderme como a los demás? ¿Por qué no te llevaste mejor mi dinero? Usualmente lo sacan de los dormitorios y de los pantalones borrachos [y enfermos en el rincón. La próxima vez llévate mi brazo izquierdo o un billete de 50, pero no mis poemas. No soy Shakespeare pero puede ser que algún día ya no escriba más, abstractos o de los otros. Siempre habrá dinero y putas y borrachos hasta que caiga la última bomba, pero como dijo Dios, cruzándose de piernas: veo que he creado muchos poetas pero no mucha poesía. Charles Bukowski (EEUU, 1920-1994) (retirado ao Romã de Vidro) Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005
Não esquecer.António Gedeão (Prof. Rómulo de Carvalho) Entrevista na Gazeta de Física da Universidade de Coimbra, a não perder. Alguns poemas no Artistas Matemáticos/Matemáticos Artistas. Lição sobre a água, numa página dedicada a poesia sobre o líquido da vida. Alguns poemas na Página de Ciência Viva. Ne me quitte pas Ne me quitte pas Il faut oublier Tout peut s'oublier Qui s'enfuit dÈjý Oublier le temps Des malentendus Et le temps perdu A savoir comment Oublier ces heures Qui tuaient parfois A coups de pourquoi Le coeur du bonheur Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Moi je t'offrirai Des perles de pluie Venues de pays O¿ il ne pleut pas Je creuserais la terre Jusqu'aprËs ma mort Pour couvrir ton corps D'or et de lumiËre Je ferai un domaine O¿ l'amour sera roi O¿ l'amour sera loi O¿ tu seras ma reine Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Je t'inventerai Des mots insensÈs Que tu comprendras Je te parlerai De ces amants lý Qui ont vu deux fois Leurs coeurs s'embraser Je te raconterai L'histoire de ce roi Mort de n'avoir pas Pu te rencontrer Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas On a vu souvent Rejaillir le feu D'un ancien volcan Qu'on croyait trop vieux Il est paraÓt-il Des terres br¿lÈes Donnant plus de blÈ Qu'un meilleur avril Et quand vient le soir Pour qu'un ciel flamboie Le rouge et le noir Ne s'Èpousent-ils pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Je ne vais plus pleurer Je ne vais plus parler Je me cacherai lý A te regarder Danser et sourire Et ý t'Ècouter Chanter et puis rire Laisse-moi devenir L'ombre de ton ombre L'ombre de ta main L'ombre de ton chien Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas Ne me quitte pas. Jacques Brel, também aqui. Impressão Digital Os meus olhos são uns olhos, e é com esses olhos uns que eu vejo no mundo escolhos, onde outros, com outros olhos, nao vêem escolhos nenhuns. Quem diz escolhos, diz flores! De tudo o mesmo se diz! Onde uns vêem luto e dores, uns outros descobrem cores do mais formoso matiz. Pelas ruas e estradas onde passa tanta gente, uns vêem pedras pisadas, mas outros gnomos e fadas num halo resplandecente!! Inutil seguir vizinhos, querer ser depois ou ser antes. Cada um é seus caminhos! Onde Sancho vê moinhos, D.Quixote vê gigantes. Vê moinhos? São moinhos! Vê gigantes? São gigantes! António Gedeão Encontrado aqui. Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005
Homem Inútil definir este animal aflito. Nem palavras, nem cinzéis, nem acordes, nem pincéis são gargantas deste grito. Universo em expansão. Pincelada de zarcão desde mais infinito a menos infinito. António Gedeão, Poemas Escolhidos, Edições Sá da Costa, Lisboa, 2002. (poema enviado pela Rita. Obrigado.) Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005
De um coração para outro Tão curta a distância - de um coração para outro. Se me sinto a mim, aos meus desejos, porque não a ti e os teus? Milhões de olhos buscam e não conseguem encontrar o outro. Cada um evita o outro, como aranhas famintas. Quem não carrega no seu seio amor, gratidão a outros? Deixa-me confessar abertamente o meu desejo por ti! E como uma ponte abarcando mil terras que te separam de mim, deixa-me, eu próprio, deitar-me para te alcançar Abraham Joshua Heschel, (1907 - 1972), rabino, filósofo e poeta. Retirado ao Rua da Judiaria Ausência Num deserto sem água Numa noite sem lua Num país sem nome Ou numa terra nua Por maior que seja o desespero Nenhuma ausência é mais funda do que a tua. Sophia de Mello Breyner Andresen (enviado pela Susana) A concha A minha casa é concha. Como os bichos Segreguei-a de mim com paciência: Fechada de marés, a sonhos e a lixos, O horto e os muros só areia e ausência. Minha casa sou eu e os meus caprichos. O orgulho carregado de inocência Se às vezes dá uma varanda, vence-a O sal que os santos esboroou nos nichos. E telhadosa de vidro, e escadarias Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso! Lareira aberta pelo vento, as salas frias. A minha casa... Mas é outra a história: Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço, Sentado numa pedra de memória. (Vitorino Nemésio), no Abrupto Terça-feira, Fevereiro 01, 2005
Sonnets from the Portuguese XLIII How do I love thee? Let me count the ways. I love thee to the depth and breadth and height My soul can reach, when feeling out of sight For the ends of Being and ideal Grace. I love thee to the level of everyday's Most quiet need, by sun and candle-light. I love thee freely, as men strive for Right; I love thee purely, as they turn from Praise. I love thee with the passion put to use In my old griefs, and with my childhood's faith. I love thee with a love I seemed to lose With my lost saints, - I love thee with the breath, Smiles, tears, of all my life! - and, if God choose, I shall but love thee better after death. (Elizabeth Barrett Browning), tirado ao Abrigo da Pastora Who Links Here |
27 de Dezembro de 2005